Pequenas coisas podem ativar a nossa memória. Uma foto, uma embalagem, um livro, ou até mesmo um pedaço de papel.
Engraçado como essas pequenas coisas nos fazem voltar no tempo e ver o passado como assistir um filme.
As fotos são mais claras. Te mostram momentos exatos, te roubam um sorriso, te revive um sentimento que as vezes você achava que não existia mais. Um pedaço de papel vai um pouco mais longe. Força a tua memória a trabalhar um pouquinho mais, e acaba te trazendo detalhes que não era capaz de lembrar.
Memória... Damos tão pouco valor a ela... Os mais velhos dizem que só sentiremos falta dela quando não formos mais capaz de controla-la, quando ela passa a ter vontade própria e vai e vem quando ela bem entender. Quando ela cria vontade própria. Acho que sou adepta dessa crença...
"[...] Já eram quase 2 da manhã e ela ainda continuava acordada. O trabalho não a deixava dormir. Na verdade, o excesso de trabalho. Eram quase 2 da manhã e ela buscava uma saída incansavelmente. Se distraiu um pouco enquanto procurava um certo documento que parecia querer se esconder dentro do computador. Enquanto vasculhava, achou uma pasta perdida, com arquivos e fotos antigos, nem se lembrava mais deles. Por curiosidade abriu uma das fotos. Era uma foto não tão antiga, tinha se passado apenas um ano desde que aquela foto havia sido tirada, apesar de para ela, parecer muito mais. Reconheceu logo de cara as pessoas, a cena, a situação. Foi como num flash back, digno de filme. Era ela e aquele que um dia foi o seu amor. Estavam sorrido na foto, abraçados, em um dia de sol. Deixou escapar um sorriso no canto dos lábios. Voltou para o dia como num piscar de olhos. Lembrou até do cheiro dele, da sensação que ela tinha quando estava perto dele.
Não sentia aquilo desde que havia conhecido ele. O frio na barriga, a sensação de que sempre teria alguém com quem contar. Sempre que tinha alguma novidade, era para ele que ela queria ligar. Tinham sido muito felizes durante o tempo que ficaram juntos. Ao menos ela tinha.
Balançou a cabeça, voltou para o quarto. Olhou ao seu redor. Ainda guardava memórias daqueles dias, dos dias em que ela era feliz. Não que não fosse mais feliz. Eram apenas momentos diferentes, mas que ela fazia questão de expor. Sentiu um aperto. Olhou em volta do quarto novamente. Decidiu que era hora de retirar aquelas memórias. Não que não fosse bom recorda-las. Mas decidiu que era hora que criar novas memórias, e deixar que as antigas tomassem o seu rumo natural.
Resolveu dormir, afinal de contas, eram quase 2 da manhã[...]"
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