domingo, 29 de agosto de 2010

No fim, um copo de wisky e um album velho de fotos.

"Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo. "        Caio Fernando Abreu



E pensar que nesse meio tempo pude viver a sensação de não viver só. De não ter apenas como companhia um copo cheio até a borda de wisky.
Até hoje não consigo compreender como me conduzi novamente a esse estado. Quando te encontrei, acreditei que nunca mais estaria sozinha.
Engraçado. Logo eu, eu sei. Que me dizia auto suficiente, que dizia que não precisava de ninguém. Acho que acontece. Ao menos uma vez na vida a gente tem a chance de deixar de ser assim. Deixar de não querer mais ser sozinha.
Talvez, talvez isso aconteça mais de uma vez.
Talvez, minha última companhia não seja um album de fotos amareladas, uma nostalgia profunda e um copo de wisky.

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