domingo, 12 de dezembro de 2010

Memórias

Pequenas coisas podem ativar a nossa memória. Uma foto, uma embalagem, um livro, ou até mesmo um pedaço de papel.
Engraçado como essas pequenas coisas nos fazem voltar no tempo e ver o passado como assistir um filme.

As fotos são mais claras. Te mostram momentos exatos, te roubam um sorriso, te revive um sentimento que as vezes você achava que não existia mais. Um pedaço de papel vai um pouco mais longe. Força a tua memória a trabalhar um pouquinho mais, e acaba te trazendo detalhes que não era capaz de lembrar.

Memória... Damos tão pouco valor a ela... Os mais velhos dizem que só sentiremos falta dela quando não formos mais capaz de controla-la, quando ela passa a ter vontade própria e vai e vem quando ela bem entender. Quando ela cria vontade própria. Acho que sou adepta dessa crença...


"[...] Já eram quase 2 da manhã e ela ainda continuava acordada. O trabalho não a deixava dormir. Na verdade, o excesso de trabalho. Eram quase 2 da manhã e ela buscava uma saída incansavelmente. Se distraiu um pouco enquanto procurava um certo documento que parecia querer se esconder dentro do computador. Enquanto vasculhava, achou uma pasta perdida, com arquivos e fotos antigos, nem se lembrava mais deles. Por curiosidade abriu uma das fotos. Era uma foto não tão antiga, tinha se passado apenas um ano desde que aquela foto havia sido tirada, apesar de para ela, parecer muito mais. Reconheceu logo de cara as pessoas, a cena, a situação. Foi como num flash back, digno de filme. Era ela e aquele que um dia foi o seu amor. Estavam sorrido na foto, abraçados, em um dia de sol. Deixou escapar um sorriso no canto dos lábios. Voltou para o dia como num piscar de olhos. Lembrou até do cheiro dele, da sensação que ela tinha quando estava perto dele.
Não sentia aquilo desde que havia conhecido ele. O frio na barriga, a sensação de que sempre teria alguém com quem contar. Sempre que tinha alguma novidade, era para ele que ela queria ligar. Tinham sido muito felizes durante o tempo que ficaram juntos. Ao menos ela tinha.
Balançou a cabeça, voltou para o quarto. Olhou ao seu redor. Ainda guardava memórias daqueles dias, dos dias em que ela era feliz. Não que não fosse mais feliz. Eram apenas momentos diferentes, mas que ela fazia questão de expor. Sentiu um aperto. Olhou em volta do quarto novamente. Decidiu que era hora de retirar aquelas memórias. Não que não fosse bom recorda-las. Mas decidiu que era hora que criar novas memórias, e deixar que as antigas tomassem o seu rumo natural.
Resolveu dormir, afinal de contas, eram quase 2 da manhã[...]"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Saudades.

Postagem rapidinha, feita de longe de casa...

"O tempo pode deixar marcas

Fortes lembranças vivendo no meu coração
Sua presença um tanto rápida
Fez com que o vento soprasse uma nova canção

Agora uma nova estrela brilha no céu
Iluminando essa escuridão
Em sonhos sei que posso te imaginar
Eu só quero lembrar que você sempre vai existir aqui

Que saudades, sentimentos e vontade de ter você aqui
Quando a chuva cair ou uma flor se abrir

Saudades brilham na calada da noite
Saudades brilham na calada da noite
Saudades brilham na calada da noite

Eu só quero lembrar que você sempre vai existir aqui."


Mais que um amigo, um primo partiu hoje... Se foi uma pessoa especial, que fará falta na vida de todos que o conheciam, e em todos que não poderão ter essa chance...

Vá em paz, e olhe por nós ai de cima, porque a gente sempre vai continuar olhando você...

domingo, 19 de setembro de 2010

Um chá para ela, por favor

E a vida continua mudando.

E quem disse que ela sabia que um dia o passado bateria a sua porta?

Ok. Não bateu exatamente a sua porta, digamos que apareceu do nada.

O local escolhido foi uma livraria. Passava os olhos na sessão de best seller's. Não que fosse o tipo de mulher que apreciasse somente os grandes lançamentos, ou ainda, o tipo de literatura que virava modinha. Na verdade, quando a questão eram os livros, os seus preferidos sempre foram os clássicos. Machado de Assis, José de Alencar [...] Sua prateleira era repleta de romances do tipo Senhora, O Guarani, Iracema... Passava o tempo entre as histórias das civilizações antigas, passeava pelo Egito e se arriscava em literatura estrangeira. Mas os seus preferidos, sempre foram os romances. Isso talvez por não se achar uma pessoa romântica no dia a dia. Achava que a literatura era a maneira com a qual compensava essa falta de romantismo em sua vida.

Mas hoje, hoje estava entre a sessão de best seller's. Na verdade, mais passava o tempo do que realmente prestava atenção. Seus olhos apenas percorriam os títulos dos livros, sem nem mesmo se preocuparem em fixar o que liam. Era como se a mensagem durasse em sua memória o tempo exato para ser lida.

Cansou-se dessa sessão.Resolveu continuar olhando, quem sabe algo chamaria a sua atenção. Era um sábado. Um sábado nublado, chuvoso, feio, um daqueles sábados que nada no mundo te faz querer sair da cama. Na verdade, se fosse por ela realmente não teria saido, mas um incidente no trabalho a fez levantar da cama e lidar com a realidade, por pior que ela pudesse aparentar naquele dia. Eram 2 horas da tarde. Já havia resolvido tudo o que tinha que resolver, e como o seu escritório ficava a alguns metros dessa livraria, resolveu passar ali e se distrair.

Mas vamos voltar para a biblioteca. Os motivos que a levaram até lá não são relevantes nesse momento. Lá estava ela, mudando de sessão, ia distraida, pensando em qual caminho iria trilhar até chegar em casa. Não reparou quando ele parou ao seu lado.

Ele olhou, desviou o olhar, olhou novamente, quis ter certeza de quem estava ao seu lado era exatamente ela. Parou um instante, quis adimira-la. Ela estava linda. Mesmo depois de todo esse tempo. Faziam o que? Uns 5 anos desde a última vez que se viram? E ela estava ainda mais linda. Aqueles 5 anos definitivamente a fizeram crescer, estava mais mulher. Uma bela mulher, era só o que conseguia pensar. Balançou a cabeça. Naqueles poucos segundos todos os momentos que viveram juntos passaram em sua mente. Exitou por um momento em falar com ela. As coisas entre eles não acabaram exatamente bem. Mas 5 anos haviam se passado, e aquilo não parecia do mesmo jeito nos dias de hoje.

Encostou uma das mãos no ombro dela. Ela levantou os olhos, estava olhando um livro. Parou por uns segundos, assimilou aquela imagem. Ela o conhecia, mas fazia tanto tempo.

Sorriu, disse oi, deu um abraço meio sem jeito. Disse que não acreditava que ele estivesse ali. Fazia tanto tempo. E se encontravam ali, em uma outra cidade, em uma livraria.

Ela lhe perguntou sobre a vida, sobre o trabalho, sobre como estava. A essa pergunta, ele respondeu que estava bem. Estava trabalhando, que inclusive o motivo de estar na cidade era que havia se mudado ha pouco mais de duas semanas. Sobre a vida, disse que havia se casado com a namorada dos tempos da faculdade. Disse que foi mais uma vítima do clichê. Tinham um filho. Um lindo garotinho chamado Bruno. Mostrou-lhe a foto. Mas que o casamento não havia dado certo, a incompatibilidade de profissões e de ambições tornaram a convivência impossível, e que a mudança era a chance que ele lhe estava proporcionando de mudar, de crescer, de correr atrás dos seus sonhos. Ela perguntou se a distância do seu filho não incomodava. Ele disse que sim, que a pior coisa da separação havia sido a distância que esta causaria entre ele e o seu filho. Mas disse também que lhe devia essa chance, de pelo menos uma vez ser egoísta e correr atras dos seus sonhos.

Ele lhe fez a mesma pergunta. Como estava? O que andava fazendo... Não se viam a tanto tempo! E eram tão amigos... Ela lhe disse que ao contrário dele, não havia se casado. No currículo, apenas relacionamentos fracassados, todos pelo mesmo motivo: ela sempre se dedicava mais ao seu trabalho do que a eles.

Antes de continuarem conversando, resolveram ir tomar um café. Sentaram a mesa, fizeram o pedido. Ele pediu um café puro, e perguntou se podia fazer o pedido por ela. Ela riu, e disse que sim.

"- Um chá para ela, por favor"

Ela sorriu mais uma vez. Depois de tanto tempo ele ainda sabia exatamente o que ela gostava.

Depois de tanto tempo ele ainda a conhecia.

[Continua...]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

He's just not that into you!

He's just not that into you

O título de um filme, mas bem que poderia ser o título de vários capítulos da minha vida, da sua vida, e da vida de milhões de pessoas!

Já me disseram que eu não tenho sentimentos, ou que pelo menos não sei demonstrá-los como qualquer outro ser humano. Já me disseram que tenho um que de "psico" já que encaro as coisas de uma forma mais racional do que a maioria das pessoas.

Mas...já me disseram também que escrevo de uma forma que deixo transparecer tudo o que se passa comigo. Que o que eu escrevo tem uma carga emocional indescritível.

Aos que me consideram uma anti sentimental, sinto informá-los, mas meus sentimentos só devoto aquilo que realmente me interessa. E quem já pode te-los que os diga!

Aos que dizem que minha forma de escrever tem uma carga emocional muito grande, justifico dizendo que tem o sentimento real de alguém que se expressa através de seus textos.

Só por hoje (quem sabe), a história contada aqui será de forma diferente...

Pra quem nunca assistiu ao filme que dá título a esse post, ele começa dizendo a maior verdade de todas: Fomos programadas desde pequenas a achar que sempre que um homem nos trata mal, é porque eles gostam da gente! Porque tem uma quedinha por nós.

AHaaha... Não resisti.. Ok...quer dizer então que o cara que fica com você uma noite, não te liga mais, te ve na rua e ignora a sua existência, te ve em uma balada e faz questão de não falar com você, e ainda, desfila com outra mulher bem ao seu lado...Uau... ele deve realmente te amaR! E o homem que está com você a um tempão, faz juras de amor, diz que você é a mulher da vida dela, pra uma semana mais tarde estar dormindo com outra, nossa...Esse ai deve ser o Príncipe Encantado montado no cavalo branco, pronto pra te levar pro castelo, no qual irão viver felizes para sempre! Uf..(recuperando o fôlego)

E o filme segue...Mostrando, esfregando na cara de todas nós, o que já estamos cansadas de saber ,mas que por algum motivo bizarro,fazemos questão de não acreditar, de achar sempre que com a gente vai ser diferente, afinal de contas, ele jamais faria isso com  você, ele disse que você era a alma gêmea dele. E o pior, não satisfeitas em nos iludir, continuamos, vamos em frente iludindo nossas amigas, com histórias mirabolantes de  uma amiga que conhece uma amiga, que sabe de um caso em que com a mulher da história (sim,com H) as coisas aconteceram diferentes!

Segue dizendo que se um cara não te liga no dia seguinte, é porque ele não tá afim de você. E que se ele não te procura, não é uma mensagem subliminar de que tá tentando se fazer difícil,é porque simplesmente ele não tá afim de te ver. Mesmo você criando histórias homéricas pra tentar explicar o porque da demora.

Ok. Não estou dizendo que coisas maravilhosas, incrivelmente dificeis de acontecer,não aconteçam.Mas como eu disse a umas palavras atrás, queridas, são incrivelmente dificeis de acontecer, ou seja, são raras!

Mas claro, vamos continuar achando que existe.Vamos continuar lendo romances e acreditar que tudo aquilo pode realmente acontecer. Que ele pode largar a noiva dele pra ficar com você. Porque quando vocês se conheceram, foi amor a primeira vista!

Relembrando. Não estou sendo cética. Estou sendo realista.

É claro que ainda existem pessoas ai fora que se apaixonam, que fazem de tudo por amor, mesmo isso sendo pra mim algo meio difícil de ocorrer.

Devo confessar que o filme no final me desapontou, foi contra tudo aquilo que pregou durante todo o drama, fazendo-nos crer novamente que finais felizes sempre acontecem! Não que eu não ache que não ocorrem. Só acho que nem pra todo mundo um final feliz se resume a encontrar alguém. Talvez, um final feliz se resume em simplesmente você conseguir se encontrar.

O que você aprendeu lendo esse post? Que a culpa de todos os seus relacionamentos fracassados são culpa da sua mãe (rs****) e claro.... He's just not that into you!

domingo, 29 de agosto de 2010

No fim, um copo de wisky e um album velho de fotos.

"Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo. "        Caio Fernando Abreu



E pensar que nesse meio tempo pude viver a sensação de não viver só. De não ter apenas como companhia um copo cheio até a borda de wisky.
Até hoje não consigo compreender como me conduzi novamente a esse estado. Quando te encontrei, acreditei que nunca mais estaria sozinha.
Engraçado. Logo eu, eu sei. Que me dizia auto suficiente, que dizia que não precisava de ninguém. Acho que acontece. Ao menos uma vez na vida a gente tem a chance de deixar de ser assim. Deixar de não querer mais ser sozinha.
Talvez, talvez isso aconteça mais de uma vez.
Talvez, minha última companhia não seja um album de fotos amareladas, uma nostalgia profunda e um copo de wisky.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu nunca (te) disse que te amei

Eu nunca (te) disse que te amei.

Nunca te liguei de madrugada por ter tido um sonho ruim. Nem mesmo demonstrei amor nas horas em que você precisou.
Eu nunca disse que te amei. Nunca disse pra ninguém. Nem te dei esperanças de que um dia eu fosse capaz de te amar.
Eu nunca te disse que te amei.
Que quando eu ia dormir sozinha, era o seu cheiro, o seu toque, a sua lembrança que me vinha a cabeça. Que eram os momentos que passei com você que me confortavam nos dias de chuva.
Eu nunca disse que te amei. Nunca correspondi a suas tentativas de me prender a você. As suas surpresas, fracassadas investidas. Ao jeito que me olhava, como se eu fosse única pra você.
Eu nunca te disse que te amei. Que cada vez que me olhava, meu espírito se iluminava, omeu dia ganhava tons fortes, vibrantes. Que cada palavra que você dizia pra mim alimentava a minha alma com a mesma intensidade que a água refresca o corpo em um dia quente.


Eu nunca disse que te amei.
Eu nunca te disse que te amei.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Isso aqui, sou eu!

Isso aqui é meu!

Isso aqui sou eu!

Vou logo te avisando, se não quiser escutar, vá embora! Faça como sempre fez. Vá. Bata a porta.

Mas não se esqueça! Não ouse esquecer que eu nunca menti. Nunca te iludi. Sempre fui transparente com você! Logo você, que arrancou de mim o que eu tive de mais precioso. O amor que tive por ti.

Não ouse se arrepender. Não olhe para trás. Se não aguenta ficar aqui. Se não aguenta me enxergar, vá embora. E não se demore. Não deixe a vontade que queima o seu peito ganhar da razão que inunda a sua mente.

Corra. Antes que seja tarde. Antes que consiga realmente me enxergar. Antes que deixe de me amar. Vá.

Porque essa aqui sou eu.

Isso aqui, sou eu.