terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"[...] Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. " Vinicius de Moraes

E o amor não é basicamente isso?
fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente. É contentamento descontente.
Mas como bem diz uma grande amiga minha, idealizamos tanto ele, que queremos padroniza-los...
Mas Amor que é amor, não se tem como padronizar... Até mesmo porque quando você consegue defini-lo, é porque você não o sente.

Para alguns é o coração bater mais forte, as mãos ficarem suadas, para outros é a impossibilidade de ficar próximo a alguém...

Para ela era ficar longe, mas não conseguir ficar perto, era conversar com ele sem poder passar as mãos em seus cabelos negros. Era olhar para a boca que tantas vezes a tocou e não mais  poder acaricia-las.
Era olhar para alguém que outrora era o seu amante mas que hoje não passa de um estranho que esbarrava na rua por acaso...

Para ela essa ausência, essa dor... ainda era amor. O mais puro e verdadeiro que um dia ela sentiu...

Chegou em casa depois de outro dia de trabalho massante... Abriu a porta, o silêncio chegou a lhe ferir o espírito. Trancou a porta, acendeu as luzes, foi a cozinha... Tudo como sempre fazia... Passos mil vezes ensaiados e protagonizados por ela. Verificou a secretária, ele não havia ligado. Passaram-se 3 dias e ele ainda não tinha ligado. Nesse momento tudo já havia passado pela sua cabeça, mas já havia se convencido que eram fantasias. Tirou os sapatos, foi para o banheiro. Aquela altura só um banho a tiraria desses pensamentos..
Saiu, colocou o seu velho pijama, olhou no espelho e viu a mesma imagem de sempre... Os mesmos cabelos, os mesmos olhos sem brilho, a mesma aparência cansada.
Foi para sala. Sentou ao lado do telefone, chegou a pega-lo e começar a discar os números. Interrompeu quando faltava apenas um. Colocou no suporte de novo, afinal de contas, não iria correr atrás dele, não era mulher disso. Ligou a tv, o mesmo programa de sempre.
Do outro lado da cidade, ele também havia acabado de chegar em casa. Abriu a porta, nada. Ninguém o esperava. Como um Deja Vu, faz tudo exatamente igual, a mesma rotina, os mesmos passos.
Confere as ligações, ela não ligou. A frustação toma conta de seu semblante. Abre a geladeira, pega uma cerveja. Abre a janela, o lugar o estava sufocando. Tira os sapatos, aquela altura, tudo o irritava. Senta ao lado do telefone, na esperança de que ela ligaria... Confere as mensagens no celular.. Le de novo as mensagens endereçadas a ela, e tenta encontrar ali o motivo dela não o procurar... Foi algo que ele disse? Três dias se passaram em que ele mandava mensagens e ela não o respondia... Algo deveria estar errado. Decide tomar um banho, não iria esperar por ela, iria fazer acontecer o que queria. Veste uma calça, coloca a camisa que lhe traz sorte. Tudo em seu lugar, liga uma ultima vez, nada...
Já eram quase meia noite... O filme e as taças de vinho lhe enviavam direto aos braços de Morfeu... Estava quase se rendendo... A campainha toca... Assustada, levanta um tanto cambaleante e vai até a porta. Quem seria a essa hora.
Abre a porta. Um misto de surpresa e alegria tomam-lhe o rosto... Não sabia se ria ou se chorava, decidiu pela felicidade.. Ele a abraça e diz o quanto sentia a sua falta... Ainda com lágrimas no rosto ela o abraça forte, e diz que também sentia muito a sua falta... O convida para entrar... Ele acabara de chegar de viagem, estava na cidade a trabalho, e como se conheciam a muito, não achou problema em ir lhe ver...
Apressado ele sai do carro. Demorara muito para achar uma vaga, afinal de contas, era sexta feira a noite, todos saiam... Ainda decidido em encontrar com ela, não consegue esperar pelo elevador, sobe as escadas correndo, quando finalmente chega ao seu andar, pára para tomar ar.... Ao levantar o rosto a vê.. ela estava linda, seus cabelos balançavam, o seus olhos brilhavam, e nunca a viu com aquele sorriso no rosto...
Mal pode notar que ela não estava mais sozinha [...]

Um comentário:

  1. "Um misto de surpresa e alegria tomam-lhe o rosto... Não sabia se ria ou se chorava, decidiu pela felicidade.."
    Seus textos possuem sutilezas finíssimas que fazem com os leitoreis se aproximem e se identifiquem. Sutilezas finíssimas que nem todos captam, mas os que conseguem absorve-las não têm dúvidas de que há um encanto extasiante por trás desses textos.
    Gostei muitíssimo do seu blog! Encontrei-o por mera casualidade (ou seria por destino?!)... Talvez porque de fato "as paredes têm ouvidos". rs.
    Visitarei com frequência!

    Um sorriso fraterno.

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